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| Diretor
Responsável: Egydio
Coelho
Av. Rui Barbosa, 1.291 - Assis-SP - Brasil - Telefone:
18-3322-3444
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| Assis,
SP,Quinta-Feira, 25 de Março de 2004 - Bem
Vindo
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| PROCESSOS
CONTRA O VOZ DA TERRA (25-03-2004) |
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| Processos
por danos morais
contra Voz da Terra
Voz da Terra nos últimos anos sofreu 24 processos
civis, a maioria por danos morais, e onze relacionados
com crime de imprensa. Num total de 35 processos.
Se somados os valores pleiteados em juízo pelas
pessoas, que se sentiram prejudicadas com as notícias,
somariam mais de um milhão de reais. No crime,
se condenados em todos os processos, chegaria a mais
de trinta anos de prisão para os jornalistas.
Na maior parte deles, nosso advogado de defesa conseguiu
provar que o jornal apenas cumpriu a sua função,
que é a de opinar e de informar, direitos esses
assegurados na Constituição Federal.
Parece-nos que esse fenômeno, que vem limitando
liberdade de imprensa no Brasil, prejudica a todas
as pessoas bem intencionadas: a vítima, que
se tiver razão, não terá nunca
compensada sua moral, pois “indenização
por danos morais em dinheiro só indeniza a
moral de quem não tem moral”.
Tanto isso é verdade que a maioria das pessoas,
que tem nome a zelar, ao optarem por processar alguém
por danos morais, se apressam em afirmar que o dinheiro
recebido será doado a alguma entidade.
O próprio advogado, que defende a vítima,
também se prejudica, pois, mesmo que não
seja ganancioso e deseje apenas fazer justiça,
acaba por orientar o seu cliente a seguir o caminho
do cível e sugerir o pedido de indenização.
Pois isso, com certeza, atingirá mais fortemente
o jornalista e a economia de sua empresa. E o resultado
inibidor – e até vingativo – é
mais imediato. Mesmo que mais tarde, ambos, cliente
e advogado, sejam acusados de desejo de enriquecimento
ilícito (sem causa).
O advogado, que defende a empresa, também fica
numa situação difícil de explicar
à empresa e ao jornalista, porque passou a
existir uma co-responsabilidade, quando pela Lei de
Imprensa, o responsável pela difamação,
injúria, etc. é quem escreve e não
a empresa.
Para a empresa jornalística, que tem por objetivo
dar a maior liberdade possível a seus jornalistas,
para que realmente escrevam o que sabem e o que pensam,
o dano é muito grande. É obrigada a
instituir a auto-censura, a pior de todas as censuras.
Mas a legislação em vigor e sua interpretação,
ainda sem uma boa jurisprudência firmada, com
certeza, têm tirado do povo um direito constitucional,
que é o de ser bem informado e dos jornalistas
o direito de informar e de livre manifestação
do pensamento.
Voz da Terra pretende discutir esse assunto até
as últimas conseqüências, ainda
que juridicamente lhe seja mais prejudicial ainda.
Por isso, decidimos tornar público todos os
processos, sofridos pelo jornal nos últimos
oito anos.
Iniciaremos por publicar a própria notícia,
que deu inicio ao processo; a acusação
de quem se sentiu prejudicado; a defesa de nosso advogado,
a decisão do juiz, etc. Acreditamos que assim
todos nós aprenderemos e haveremos de aperfeiçoar
o relacionamento da imprensa com pessoas, que se sentem
prejudicadas em seus direitos individuais.
Na verdade, por enquanto, entendemos que assiste razão
aos ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes
quando, ao decidir sobre crime de imprensa, dizem:
“O interesse coletivo deve prevalecer em relação
ao particular”.
Egydio Coelho da Silva.
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