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NOTÍCIA

27/04/2017

Doutor, não direi mais nada...

Só que a frieza do bicho homem simplesmente os ignora


Doutor, não direi mais nada...

NELSON CILO

Eu já sabia que os novos pilotos da nave resolveriam o gravíssimo problema dos animais abandonados nas ruas da cidade. Nunca fui nem bruxo nem clarividente. Portanto, não há méritos de quem acerta na mosca. Ou melhor: no alvo dos cães e gatos espalhados especialmente na periferia. Os comandantes anteriores – desculpe-me a sinceridade - não estavam nem aí. A prioridade – pregavam os meus amigos da Corte – era zelar da saúde humana. Como assim? Quando? Onde? Ah, sei: o país inteiro padece deste mal.

Mas eu me referia, doutor Roberto de Mello, ao prefeito José Fernandes e ao vice Márcio Veterinário que, apesar da falta de recursos financeiros e do pouco tempo num trono cheio de torturantes espinhos, tiveram a percepção de interpretar que os nossos fiéis companheiros – notem - são criaturas divinas. Só que a frieza do bicho homem simplesmente os ignora.

Saibas, doutor, que os atuais “Irmãos Coragem” da Prefeitura não pensam assim. Eles tiveram a grandeza de assinar embaixo do Projeto de Castração sugerido pelo combativo Alexandre Cachorrão. Como vereador exemplar, ele não perde a chance de marcar golaços na hora certa e no momento exato de colocar a bola nas redes que balançam na frente da hipocrisia.

Pois bem: ao contrário do Rei Ruela, o cachaceiro da pracinha – o pior tranqueira da política local – o Lorde Vencio é um sujeito envolvido na comunidade. Já o pinguço nunca levantou uma palha em defesa dos mais nobres interesses do meu povo deste sagrado chão. Graças a Deus que os eleitores o despacharam nas urnas.  Quanto ao Alexandre, taí um cara (no melhor sentido) que pronuncia fluentemente a linguagem da sabedoria. A pinga não consegue fisgá-lo.

Não me surpreende que o Márcio Veterinário abraçasse uma causa igual a essa. Afinal, o santíssimo guia dos meus três filhotes - cúmplices de mim - não exerce apenas um trabalho profissional, mas põe o amor no coração ao ressuscitar as indefesas vítimas dos atropelamentos pelos motoristas implacavelmente distraídos aos volantes dos carros em alta velocidade. Ou adoentados. Ou tristes. Ou sem rumo na vida. Ou carentes de afagos. Sem lares nem quintais que os protejam a da violência banal.  Doutor, prometo: não direi mais nada...

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